Como assim o prêmio do concurso foi uma viagem a Gumi-si? Onde fica? É cidade, é país? Em que continente? Essas eram as perguntas que eu me fazia, repetidas vezes, enquanto também as dirigia ao agente de viagens que me contactou para dar os parabéns pelo prêmio recebido no concurso de literatura da Livraria Lello,ContinuarContinuar lendo “A Presença”
Arquivos da categoria: Crônicas
A Crônica do Encontro
O encontro durou dias, e mesmo assim teve gosto de quero mais… Não teve atrasos, cada um chegou no seu tempo… Tinha tema, mas não script. O comando era a vontade e a alegria em participar. O sorriso feliz de cada participante ao chegar ao local do encontro e mais ainda ao sair, dá aContinuarContinuar lendo “A Crônica do Encontro”
Cansei…
Quero morar no mato. Não por muito tempo… talvez só o suficiente para que passem as especulações de final de ano. Quais? As econômicas, as astrológicas, as políticas, as de tendências de moda, artísticas e até mesmo as da cor para 2026. Acreditam? Essa é realmente nova para mim. E agora está respondida uma perguntaContinuarContinuar lendo “Cansei…”
Por quê as pessoas gritam?
Tenho pavor, trauma e medo de quem grita. O grito, para mim, é quase sempre a antecâmara da violência, do caos anunciado. “A violência seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota“, já disse o filósofo A opressão, a intimidação e o medo, via de regra, começam pela voz antesContinuarContinuar lendo “Por quê as pessoas gritam?”
Um ouvido novo para uma história velha…
Que atire a primeira pedra quem não passou por isso! Todos nós conhecemos alguém que adora quando perguntam: e aí, tudo bem? Pronto, lá vem a amiga ou amigo traída(o) contar detalhes: como passou a desconfiar, quais sinais ela não percebeu, o quanto acreditou no traste, como foi a certeza, a decisão, o que sofreu,ContinuarContinuar lendo “Um ouvido novo para uma história velha…”
O Que Perdemos Com o Wi-fi
A tecnologia nos trouxe muitas coisas. Mas o que ela levou embora? Creio que a pergunta poderia ser: as crianças ainda brincam? Acredito que brincam bem menos do que eu, meus irmãos e amigos! Os tempos mudaram. Ninguém mais fica na rua, na frente de casa. As famílias não têm tantos filhos. E com issoContinuarContinuar lendo “O Que Perdemos Com o Wi-fi”
Namoro Fake
Foi amor à primeira vista! Mas aqui já cabe uma dúvida: tem como não ser assim? Pensei, repensei, e concluí que talvez o amor, esse danado, só se instale quando é fulminante. Ou, pelo menos, quando nos parece inevitável. Amor precisa de sujeito. Ele pode ser físico, abstrato, indeterminado, oculto. Pode ser real ou inventado.ContinuarContinuar lendo “Namoro Fake”
Realidade Adversa
Crônica de Maria Elza- ilustração ChatGpt “Da minha infância querida, que os anos não trazem mais…” Sem pressa, sem ódios, sem amor. Como trilha sonora, busco deliberadamente os sons que embalaram as minhas inquietações juvenis. “Maringá, Maringá, depois que tu partistes, tudo aqui ficou tão triste que eu garrei a imaginá…” “Vento que balança asContinuarContinuar lendo “Realidade Adversa”
Me dê um lyke?
As redes sociais dominaram, não há como negar. Se aconteceu, está na rede. Se não estiver, deve ser irrelevante, e nem interessará a ninguém. Em tempos não tão longínquos, eram as redes de televisão e, antes ainda, os jornais e revistas. Os expoentes da comunicação tornavam-se celebridades, a quem conhecíamos pelos nomes. Redatores, colunistas, apresentadoresContinuarContinuar lendo “Me dê um lyke?”
Maria – A mãe de Jesus
1- Quando me referi a Maria ( Mãe de Jesus) como minha heroína, falei de forma rápida, só fiz uma referência. Agora quero falar de como ela me toca, de como eu a sinto grande, enorme mesmo, em sua fé e entrega. A imagino em casa, camponesa, filha obediente, mocinha inocente, linda, recatada, vivendo aquelaContinuarContinuar lendo “Maria – A mãe de Jesus”
Manual de Jogos
— Onde você vai, moleque? — Veja como fala comigo! — Vai querer apanhar? — Ah é? E quem vai me bater? Na calçada, os dois se encaravam como galos de rinha. Do outro lado do muro, Dona Adélia estendia roupas no varal. Ouvindo o tom da conversa, escancarou o portão: — Quinzinho, o queContinuarContinuar lendo “Manual de Jogos”
Então é Natal
Faça a conta. Faça a compra. Faça a lista. Afinal, dentro de poucas semanas será Natal. “É apenas mais um”, dirá o jovem. “Talvez seja o último”, pensará o idoso. “Vou ter que gastar meu décimo terceiro”, pensa o pai. Ou a mãe. “O serviço vai dobrar”, lamentam a vendedora, a empregada, o patrão, o carteiro. “Preciso variar eContinuarContinuar lendo “Então é Natal”
O Embrulho
Ilustrado pelo ChatGPT — O que é isso? — Não sei. Tava aqui na mesa de fora. — Quando foi? — Que encontrei? Agorinha, quando vim dá comida pros gatos. — Cê pegou? É pesado? — Não. Já falei, acabei de achá! — De quem será? — Num sei, mas queria sabê o que é.ContinuarContinuar lendo “O Embrulho”
O Bairro Novo
As calçadas são cinzas. Os muros também. Opa! E as casas? Cinzas! E “harmonizam-se” com a cor preta e outros tons da mesma cor… Que moda é essa? Qual o guru da arquitetura moderna foi o precursor dessa escolha? Sigo com o Google Maps aberto, como quem caminha sem saber o caminho, mesmo tendo um mapa naContinuarContinuar lendo “O Bairro Novo”
Acontece…
Acontece de, às vezes, ela esquecer de beber água… Acontece de refazer o trajeto dentro de casa. Um, dois, três passos tentando lembrar o que ia fazer… Acontece de o nome de um livro fugir, de um autor se esconder num canto da memória. E, entre um esquecimento e outro, ela suspira e diz baixinho:ContinuarContinuar lendo “Acontece…”
Acalento
Ao escrever, eu namoro, flerto, me apaixono. Por quem? Por elas, as palavras. Já perceberam como elas chegam? Afoitas, apressadas, querendo passar à frente umas das outras. Delas, sou fã, parceira e amiga. Pois venham, achem seus lugares, enfeitem, enfeiem, traduzam, confundam. Ahhh, as palavras… Com o seu poder, destroem impérios, apaziguam corações quebrados, animamContinuarContinuar lendo “Acalento”
Enxurrada
Enxurrada Maria Elza G. Gonçalves20.09.2025 A Enxurrada Quem morou em cidades do interior, em tempos idos, vai se lembrar da enxurrada. Do barulho, da intensidade, da cor, do tempo que durava. Hoje, talvez, poucas crianças tenham visto, ou até mesmo ouvido falar dela. Esse fenômeno da natureza não era o evento em si, mas aContinuarContinuar lendo “Enxurrada”
Modo Economia de Energia
Vamos falar de bateria social? Para mim, está cada vez mais difícil não prestar atenção, calibrar, recarregar ou mesmo optar se devo usar essa tal ferramenta. Todos os dias eu percebo o quanto ela está se tornando indispensável e necessária em nossas vidas. Em muitas situações parece existir um desgaste nas relações sociais, talvez peloContinuarContinuar lendo “Modo Economia de Energia”
Sonhos Juvenis
09/08/25 Eu queria amar! Quem manda ficar lendo livros românticos? Não devo culpar os escritores. Não eram heroínas épicas, grandiosas, orgulhosas, princesas. Nem moças descendentes de famílias tradicionais, preparadas para encontrar namorado entre os filhos dos frequentadores das altas rodas, da elite, ou filhos de amigos poderosos como os próprios pais, também. Casamentos entre iguais,ContinuarContinuar lendo “Sonhos Juvenis”
Estou Pobre de Heroínas.
Neste site, onde publicamos crônicas, poemas, contos e reflexões, existe uma aba chamada Autores. Lá está a nossa descrição: quem somos, o que nos qualifica como escritores, nossa formação. Enfim, um retrato resumido de cada um. Tenho filhos, netos, família e amigos. Estudo. Publiquei livros de contos e crônicas, além da minha autobiografia. Tenho três graduações,ContinuarContinuar lendo “Estou Pobre de Heroínas.”
A Troca
Na quietude da noite, em meio ao escuro do quarto, eles iniciam uma conversa.Uns indignados, outros seguros de si, e alguns, incrédulos.Como todos a conhecem, não poderia ser diferente.— Naturalmente, diz o preto, eu megaranto; vou com ela aos mais diversos lugares, do escritório às noitadas, restaurantes e bailes. Comigo ela fica tranquila, sabe queContinuarContinuar lendo “A Troca”
Calendário
E lá vamos nós para mais um daqueles dias “disso” ou “daquilo”, que não conhecíamos, mas que brotam do calendário com a maior certeza. É dia do beijo, dia do abraço, dia do irmão, dia nacional do homem (15 de julho). Há dias que eu aplaudo. Sem trocadilhos. Entendo que são mesmo necessários, que devemContinuarContinuar lendo “Calendário”
Felícia e a Madrugada
Acordei… Felícia se achegou, ronronando. Olhei o visor do celular e apenas passei a mão nela, a minha gata, amiga e companheira. Ela acordou… Mas, na dúvida se eu também dou minha noite por terminada, não faz nenhuma menção de se levantar. Mas isso é o que ela quer. Assim que eu colocar o péContinuarContinuar lendo “Felícia e a Madrugada”
Existir ou Exibir-se?
Em tempos de redes sociais, todos sabem de tudo. Há os que entendem mais de determinados assuntos e se tornam mentores ou especialistas disso e daquilo; os que vendem cursos, os que criam clubes de assinaturas para seguidores fiéis, os novos ricos ensinando como ser um “farialimers”, os ricos tradicionais mostrando a arte de seContinuarContinuar lendo “Existir ou Exibir-se?”
A Vó de Maria
Maria sabe que não é tempo de vacas gordas. Sabe por saber; ninguém precisa avisar. Basta olhar a manhã: o café é pouco, o copo é leve, o pão é quase um sussurro. Mas Maria descobriu uma palavra nova. Frugal. E achou tão bonita que a repete em silêncio, como quem guarda um tesouro dentroContinuarContinuar lendo “A Vó de Maria”
Piscinas Vazias
Que tristeza me dá ver as piscinas vazias! Não, elas não são sem águas. São piscinas sem gente! Sem jovens, sem crianças, sem adultos.Sem risadas, sem nada e nem ninguém! Porque fico triste? Elas estão ali confiadas aos seus cuidadores e estes limpam, filtram, colocam os produtos , e lentamente vão retirando as folhas secasContinuarContinuar lendo “Piscinas Vazias”
Olha o Passarinho
As crianças na década de setenta tiveram um ou mais de um, com certeza! Pode ter sido colorido e grande. Pode ter sido retângulo pequeno em preto e branco. Não era barato. Nem era comum. Era uma oportunidade surgida lá de vez em quando. E quando era de carneiro? Um acontecimento! Vinha o retratista comContinuarContinuar lendo “Olha o Passarinho”
A Loira Do Banheiro
— Alguma coisa deve ter acontecido com ela no banheiro. — Seria no banheiro de casa? Ou no da escola? Talvez no banheiro de uma estação de ônibus. E se era passageira e não olhou o número do próprio ônibus antes de entrar no banheiro? Na estação, ficam dez ônibus com motoristas impacientes apressandoContinuarContinuar lendo “A Loira Do Banheiro”
O Trajeto
Cansada, tarde da noite a moça atravessa a pé um triângulo de ruas, para finalmente chegar à avenida onde passam os coletivos. Ela sabe que não deveria fazer esse trajeto, mas só de pensar em aguardar quarenta minutos por outro coletivo para chegar ao mesmo ponto de ônibus, lhe dá o impulso necessário para, mesmoContinuarContinuar lendo “O Trajeto”
Domingo
Sol quente, areia queimando os pés, algazarra, sucos, cervejas, caranguejos sendo quebrados, socados com um martelinho de madeira, numa busca frenética pela carne branca e rija que seriam mergulhados em molho para serem comidos. Na mesa, mais ou menos umas oito pessoas falavam e riam. Era uma alegre e típica família que viera aproveitar um domingo na praia. “Queijo coalho” ouviam-seContinuarContinuar lendo “Domingo”
Paixonite
Seu Alberto era um homem bonito. De barba cerrada, bem feita, um cheiro bom de lavanda. Manco de uma perna, distraído ia e vinha do serviço a pé. Seu sapato adaptado lhe dava um caminhar seguro, apesar da diferença de tamanho entre suas pernas. Naquele bairro trabalhadores e alunos saiam cedo para o expedienteContinuarContinuar lendo “Paixonite”
