Como? Quando? Porquê?
Calma, ainda estou amadurecendo essa idéia…
Na verdade eu quero mesmo é um pouco de ausência. De mim, de você, do que está estabelecido. Cansei.
Eu iria, por uns dias. Não por muito tempo. Talvez o suficiente para que passem as especulações de final de ano.
Quais? As econômicas, as astrológicas, as políticas, as ditadas pelas modas, as artísticas e até mesmo as da cor para 2026. Uma novidade isso. O tom que será a marca do ano vindouro. Aquela com a qual o mercado, a sociedade, e os influencers te catalogarão. Acreditam?
E agora está respondida uma pergunta que me fiz “ano passado”: por que diabos esse povo está quase todo uniformizado de bege?
Shoppings, restaurantes, filas de cinema, feiras, mercados…
Em toda parte, as pessoas vestiam roupas na cor determinada sabe-se lá como! Como não associar aos filmes sobre safári, elefantes e afins…
Pois bem: já estou sabendo que o ano que vem será a vez da cor branca.
Será o branco dos médicos e profissionais da saúde? Dos médiuns? Das noivas? Estará por aí, em todos os lugares? Pois sim, já li ou ouvi que a cor branca será a nova tendência deste ano.
Mas, como vou estar no mato, isso não me afetará.
O que poderia me desorientar seria não levar os meus apetrechos!
Mas, como a rebelde consciente que sou, estou aqui catalogando: vital, supérfluo, indiferente.
Usei essas palavras para não me amedrontar…
Melhor ser precavida a ser moderna. No mato eu estaria a salvo de todas as “tendências.”
Uma variedade de alimentos enlatados, sementes, barras de castanhas e coisas do tipo seriam bem vindos. Já passei da idade em que comer é mais importante que dormir. As jovens mamães que não conseguem nem dormir e nem comer em paz, não me ouçam e me achincalhem, por favor!
Continuo com minha lista mental: repelente, isqueiro, água, adesivos para a coluna, remédios para pressão alta, ansiolíticos, estabilizadores de humor…
Revejo mentalmente meu dia a dia, para não esquecer nada.
Rezo pelos filhos: tomara estejam bem ocupados e não venham hoje. Não! Não me tirem a vontade de ir para o mato! E nem digam que basta desligar televisão, internet e celular!
Não, não!
O quê? Como ousam argumentar que tudo está ao meu alcance, e não preciso nem ultrapassar as fronteiras do meu quarto para ter “mordomias?”
Ahhh filhos…não sejam desmancha-prazeres… me deixem sonhar, ser transgressora, correr perigos.
Já não disseram que só se vive uma vez? Eu quero viver no mato!
Tá bom. Vocês venceram: eu não sou todo mundo.
Maria Elza 🌹