O que fica

Ganhar é sempre bom?

Depende.

Pergunte a quem subiu na balança após um fim de semana prolongado:

— Ganhei dois quilos.

Nesse caso, “ganhar” não soa como vitória.

Também se perde um compromisso, a paciência, o medo, uma oportunidade ou alguns quilos. A palavra é a mesma, mas o sentido muda conforme o que vai ou fica.

As palavras têm faces.

Como moedas, pessoas e quase tudo. 

Outro dia ouvi alguém dizer:

— Passou.

Passou o quê?

A Copa? A esperança da Argentina? Metade do ano?

A dor? A vontade? Uma moda? A oportunidade? A festa?

Tudo passa.

E, quase sempre, isso é bom.

O problema nem sempre está no que se foi, mas no que insiste em ficar.

As vezes, a lembrança que fica dói.  A dúvida corrói.

E pior

Fica a frase incômoda:

“Eu poderia ter feito diferente.”

Talvez sim. Ou não! 

É fácil julgar depois. Do lado de cá, todos parecem saber mais. Analisamos gestos, palavras e silêncios como se tivéssemos todas as respostas.

Não tínhamos.

Fizemos o possível com o que éramos: consciência, experiência, medo e coragem.

Ainda assim, quando algo não sai como esperado, não nos contentamos com a frustração. Acrescentamos peso.

Não consegui.

Logo, não sou capaz.

Perdi.

Logo, não merecia.

Errei.

Logo, sou um fracasso.

Não.

Uma coisa não define a outra.

Não alcançar algo não torna ninguém incapaz. Um resultado é só um acontecimento, não uma sentença. Uma perda não mede valor. Um erro não apaga acertos.

Como se não bastasse o desconforto, ainda nos condenamos.

Eu me recuso.

Recuso a ideia de que todo ganho seja vitória.

E também a ideia de que toda perda seja derrota.

Há ganhos que pesam, e perdas libertadoras. 

Há portas que não se abrem porque não eram nossas. Caminhos interrompidos que revelam outros. Conquistas que brilham por fora, mas cobram por dentro.

Toda moeda tem dois lados.

Não um bom e outro ruim.

Isso seria simples demais. Ambos pertencem à mesma moeda e têm valor. É preciso virá-la, observá-la, entender o que cada face revela.

Talvez o verdadeiro otimismo não seja acreditar que tudo dará certo.

E sim entender que, mesmo quando não dá, nem tudo está perdido.

Tudo passa…

Que não fique, depois de tudo, uma injustiça contra nós mesmos.

Maria Elza

Publicado por mariaelzaescreve

Me autodenominei Divina, Perfeita e Maravilhosa. Não é por vaidade e sim porque acredito que foi assim que Deus nos criou: à sua imagem e semelhança. Mesmo que humanamente isso pareça impossível, ao expressar minha crença me sinto bem. Busco o melhor sempre. Tenho fases, sou de Libra e isso ajuda a explicar minhas qualidades e meus defeitos. Amo a vida, minha família, meus amigos. Sou Formada em Administração e Direito e estudiosa da escrita criativa. Sempre gostei de ler! Amo ler tanto os romances, como os contos, crônicas, documentários, biografias… Mas minha maior bagagem é de vida, pois ela é a matéria prima para o que escrevo. A vida, as pessoas e suas histórias me encantam. E esse encantamento se transforma em letras. Amo muito, preocupo-me muito, erro muito, e procuro muito acertar! Vou dividir com vcs um pouco da minha experiência de vida, neste espaço que considero meu "travesseiro virtual" e o convido a compartilhá-lo comigo. Venha?! Criei este blog em agosto de 2010 na plataforma blogspot. Posteriormente o trouxe para o WordPress . Desde 2024 estou escrevendo crônicas e vou disponibiliza-las aqui. No site https://.www.cronicascariocas.com.br procure por Maria Elza no Menu Autores, para ler meus contos e crônicas. Ah, deixe seu comentário, pois quero saber a sua opinião!

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