Despreparar.
Ou preparar. Quem sabe?
Fomos preparados para a luta diária ou aprendemos tudo na prática?
Em que momento soubemos nos equilibrar nos saltos, descalçar os sapatos para brincar no parque com os filhos, passar no mercado na volta do serviço, engolir a comida às pressas e correr para a faculdade?
Quando aprendemos?
Talvez nunca tenha havido aprendizado formal. Apenas vida acontecendo.
Enquanto escrevo, me vem à mente que carregamos lembranças genéticas, exemplos silenciosos e uma rede invisível de proteção. Há sempre os anjos da guarda da vida real: tias, amigas, vizinhas, mães, sogras, primas.
Há também as heroínas dos livros, dos filmes e das histórias. Mesmo sem perceber, somos influenciados.
Talvez seja assim que sobrevivemos.
Escutamos a música e, intuitivamente, sabemos dançar.
Por isso acredito nessa sabedoria sem nome. Uma mistura de experiência, instinto, e coragem. Pode nascer em nós, pela vivência ou aptidão, mas também pode vir de fora,das referências que recebemos em nossa jornada. Somos plurais, nos conectamos tanto para o mal como para o bem.
E é nesse saber que deposito minha esperança.
De viver os anos futuros na condição de uma mulher que foi muito exigida pela vida e, agora quer aproveitar os frutos e as benesses da terceira idade.
Aprenderei na prática.
Ou talvez eu precise me despreparar primeiro. De todo modo, eu decido: sou a minha prioridade.
Maria Elza🌷