Quem é ela?


Uma mulher linda. Do tipo que a beleza transborda, mesmo quando recém acordada, despenteada ou desalinhada.

São as mulheres afortunadas em ganhar não um, mas um conjunto de atributos físicos perfeitos e harmônicos, da qual dizemos ter uma beleza esplendorosa, ou outros adjetivos tais.


Particularidades físicas, que embora sofram a ação do tempo, não se alteram, como a cor dos olhos, a expressão ao sorrir, ou o leve arquear das sobrancelhas, por exemplo.

Cláudia era o seu nome e ela se destacava onde estivesse.
Seus olhos azuis, sombreados por volumosos cílios não passavam desapercebidos. Realmente ela fora uma mulher formosa. Ou ainda é?

O tempo passou, mas ela parece não estar atenta a isso. Não se tornou uma matrona, uma senhora sem vaidade, como muitas; isso não, mas a idade, na faixa dos cinquenta anos se fazia perceber.

João, seu marido, sentado na poltrona a admirava com os olhos semicerrados.

Pelo espelho ele a via se arrumando cuidadosamente. Passava o lápis nos olhos, esfumaçava com o cotonete; depois fazia um risco nas pálpebras do meio para os lados, com o pincel, limpando o excesso.

Empenhada nessa tarefa ela nem dava conta de estar sendo observada… Pegou o batom, alinhou a lâmpada e se aproximou do espelho para pintar os lábios.
Depois, umas batidinhas de blush nas maçãs do rosto. Ajeitou com as mãos uns fios soltos dos cabelos já penteados; agora, um jatinho de
perfume e pronto. Tudo na maior naturalidade. Nenhum sinal de
constrangimento por se mostrar assim tão vaidosa.

Agora o olhar de João era vivo. Mas disfarçado.

Lembrou-se de quando eram moços e o quanto ela se destacava entre as outras garotas. Tentou trazer em sua memória alguma característica ou resquícios da juventude, tentando entender a estranha coqueteria que sua não tão jovem esposa mostrava agora.


Não, ele quase meneia a cabeça, como expulsando da sua mente essa
ideia.
Ele fora o escolhido por ela, apesar dos muitos rapazes promissores, abastados,viajados que a cortejavam..

Casaram-se apaixonadíssimos.

Não devo me preocupar, pensou João. E ainda mais agora, já aos cinquenta e poucos anos, como justificar um ciúme tardio?

Embora não deixara de observar a calça branca coladinha ao corpo que ela vestira, nem a sandália aberta de salto fino, com uns balangandãs frívolos, naquele pé quase desnudo, e a blusa amarrada na cintura ainda em forma.

— Vai onde mesmo?

— Ah, vou olhar vitrines…Não quer mesmo ir?

— Vá você. Por que não chama sua irmã?

— Não, ela fala muito e eu só quero observar as novidades nas lojas. Fica tranquilo, vou sozinha e venho para o jantar.

Deu-lhe um beijinho e ao sair, perguntou

— Quer que lhe traga alguma coisa?

Ele faz que não com a cabeça.

João sente um desconforto ao vê-la sair meneando os quadris. Talvez fosse vergonha… Por ela ou por por si mesmo?

Não! Nunca! Cláudia nunca seria esse tipo de mulher! Que saem para a rua com a intenção de trair a seus maridos!

Se fosse esse o caso, isso seria algo realmente digno de pena. Dele, dela, ou de ambos!

Cláudia, Cláudia… – suspira João.

Uma mulher ainda interessante, que parou no tempo. Casada. Madura. E linda…

Lembrou-se dela, jovem; sentia-se admirada, e ficava à vontade com o sucesso, junto aos rapazes ao seu redor.

João sacudiu a cabeça como para tirar essas ideias, ajeitou o travesseiro e resolveu tirar um cochilo.

Ela desceu do elevador, cumprimentou o porteiro, andou em direção à estação de metrô. Entrou, olhou em volta. Ninguém. Mudou de vagão.

Maria Elza

Publicado por mariaelzaescreve

Me autodenominei Divina, Perfeita e Maravilhosa. Não é por vaidade e sim porque acredito que foi assim que Deus nos criou: à sua imagem e semelhança. Mesmo que humanamente isso pareça impossível, ao expressar minha crença me sinto bem. Busco o melhor sempre. Tenho fases, sou de Libra e isso ajuda a explicar minhas qualidades e meus defeitos. Amo a vida, minha família, meus amigos. Sou Formada em Administração e Direito e estudiosa da escrita criativa. Sempre gostei de ler! Amo ler tanto os romances, como os contos, crônicas, documentários, biografias… Mas minha maior bagagem é de vida, pois ela é a matéria prima para o que escrevo. A vida, as pessoas e suas histórias me encantam. E esse encantamento se transforma em letras. Amo muito, preocupo-me muito, erro muito, e procuro muito acertar! Vou dividir com vcs um pouco da minha experiência de vida, neste espaço que considero meu "travesseiro virtual" e o convido a compartilhá-lo comigo. Venha?! Criei este blog em agosto de 2010 na plataforma blogspot. Posteriormente o trouxe para o WordPress . Desde 2024 estou escrevendo crônicas e vou disponibiliza-las aqui. No site https://.www.cronicascariocas.com.br procure por Maria Elza no Menu Autores, para ler meus contos e crônicas. Ah, deixe seu comentário, pois quero saber a sua opinião!

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