A despeito de a crônica possuir a capacidade de criar cumplicidade e, muitas vezes, empatia entre cronista e leitor, não há como negar que, nos tempos atuais, ela se dissolve rapidamente entre os inúmeros e variados assuntos que permeiam diariamente as redes sociais, a televisão e os grupos de WhatsApp.
Esse cenário impõe um desafio ao escritor contemporâneo, algo que não se apresentava da mesma forma às gerações passadas. A tradição, a periodicidade e os veículos de comunicação impressos formavam leitores habituais e fiéis, criando um vínculo mais duradouro entre texto e público.
Torçamos para que o brasileiro ainda encontre prazer no cotidiano e no conhecido “jogar conversa fora”, pois é justamente dessa disposição que nascem as crônicas. É na observação do trivial, no olhar atento para o comum, que esse gênero encontra sua força.
Embora os meios de comunicação atuais tenham extrema agilidade para noticiar e disseminar fatos e opiniões, que poderia sugerir a morte ou a acentuação da efemeridade da crônica, não devemos esquecer que grandes escritores nos brindaram com essa forma literária singular, capaz de unir literatura e jornalismo com leveza e profundidade.
A nós, escritores contemporâneos, cabe exercer com maestria e constância, o oficio de oferecer aos leitores crônicas que despertem identificação, cumplicidade e reflexão. E, quem sabe, sonhar que algumas delas também atravessem o tempo e alcancem as futuras gerações.
Estudos sobre crônicas por
Maria Elza
