No Nada, o Tudo!

Costumo rezar sozinha.

Nada contra a fé coletiva, mas tenho necessidade de compreender o sentido da prece: se é pedido, agradecimento ou louvor. Comigo mesma, e em silêncio.

Nas igrejas e templos, percebo a oração como um ato comunitário. Mas em casa, no recolhimento, ela se transforma em diálogo íntimo, sem medo nem pressa.

Essa percepção nasceu dos meus intervalos de “nada a fazer”.

Paradoxalmente, nesses vazios sempre encontrei invenção e força.

A vida me exigiu muito cedo: de menina curiosa a mulher adulta, mãe de quatro filhos, de cuidada a cuidadora. 

Entre tarefas e cansaços, descobri nos pensamentos e nas preces uma forma de preservar a sanidade.

Hoje, quando paro para divagar, também observo o mundo:

as preocupações das pessoas, a política que interfere em suas vidas, as esperanças ou frustrações, diante do futuro.

Nesse cenário, a prece mostra a sua força e valor.

Pedir não apenas pelas suas necessidades individuais e íntimas, por si e pelos seus ; mas de forma extensiva, coletiva : pela chuva, pelos desamparados, pelos que sofrem injustiças, pela humanidade, enfim.

Rezar com gratidão, com fé, com fervor. Repetir as palavras da oração acalma a mente e fortalece o espírito. Não me envergonho de reconhecer o valor dessas pausas. Ao contrário, me alegro.

Sei que essa prática tem críticas e até pilhérias, mas eu utilizo um antídoto, contra os julgamentos dos que pensam de forma contrária.

O meu amor próprio e a minha fé. E também não condeno aqueles que não acreditam nas orações.

Manoel de Barros dizia que algumas pessoas parecem carregar “água em peneira”. Apenas existem.

De certo modo, essa é a nossa tendência, até que despertemos. Até que tenhamos consciência. E sempre que possível eu digo: Reze… Confie e reze. Dessa forma a sua percepção de vida não se tornará em apenas “um dia após o outro”. Apenas existir.

Nos instantes onde me sentia impotente ou sem energia para encarar as dificuldades da vida, encontrei a diferença entre rezar em silêncio ou em coro, com a comunidade. Mas sobretudo, rezar. Diariamente, com a consciência e o coração.

Hoje eu posso dizer: no meu nada, a oração se fez tudo.

Maria Elza

Publicado por mariaelzaescreve

Me autodenominei Divina, Perfeita e Maravilhosa. Não é por vaidade e sim porque acredito que foi assim que Deus nos criou: à sua imagem e semelhança. Mesmo que humanamente isso pareça impossível, ao expressar minha crença me sinto bem. Busco o melhor sempre. Tenho fases, sou de Libra e isso ajuda a explicar minhas qualidades e meus defeitos. Amo a vida, minha família, meus amigos. Sou Formada em Administração e Direito e estudiosa da escrita criativa. Sempre gostei de ler! Amo ler tanto os romances, como os contos, crônicas, documentários, biografias… Mas minha maior bagagem é de vida, pois ela é a matéria prima para o que escrevo. A vida, as pessoas e suas histórias me encantam. E esse encantamento se transforma em letras. Amo muito, preocupo-me muito, erro muito, e procuro muito acertar! Vou dividir com vcs um pouco da minha experiência de vida, neste espaço que considero meu "travesseiro virtual" e o convido a compartilhá-lo comigo. Venha?! Criei este blog em agosto de 2010 na plataforma blogspot. Posteriormente o trouxe para o WordPress . Desde 2024 estou escrevendo crônicas e vou disponibiliza-las aqui. No site https://.www.cronicascariocas.com.br procure por Maria Elza no Menu Autores, para ler meus contos e crônicas. Ah, deixe seu comentário, pois quero saber a sua opinião!

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