Costumo rezar sozinha.
Não por falta de fé coletiva, mas por necessidade de compreender o sentido da prece: se é pedido, agradecimento ou louvor.
Nas igrejas e templos , percebo a oração como um ato comunitário.
Já em casa, no silêncio, ela se transforma em diálogo íntimo, sem medo nem pressa.
Essa percepção nasceu dos meus intervalos de “nada a fazer”.
Paradoxalmente, nesses vazios sempre encontrei invenção e força.
A vida me exigiu muito cedo: de menina curiosa a mulher adulta, mãe de quatro filhos, de cuidada a cuidadora.
Entre tarefas e cansaços, descobri nos pensamentos e nas preces uma forma de preservar a sanidade.
Hoje, quando paro para divagar, também observo o mundo:
as preocupações das pessoas, a política que interfere em suas vidas, as esperanças ou frustrações, diante do futuro.
Nesse cenário, a prece mostra a sua força e valor.
Rezar não apenas pelas suas necessidades individuais e íntimas, por si e pelos seus ; que ela seja extensiva, coletiva : pela chuva, pelos desamparados, pelos que sofrem injustiças, pela humanidade, enfim.
É um gesto que acalma a mente e fortalece o espírito.
Não me envergonho de reconhecer o valor dessas pausas.
Ao contrário: me aplaudo.
Trago comigo amor-próprio, antídoto contra julgamentos dos que pensam de forma contrária.
Manoel de Barros dizia que algumas pessoas parecem carregar “água em peneira”. Apenas existir.
De certo modo, essa é a nossa tendência, até que despertemos.
Até que tenhamos consciência.
Nos instantes que pareciam não servir para nada, encontrei a diferença entre rezar em silêncio ou em coro, com a comunidade. Mas sobretudo, rezar. Diariamente, com a consciência e o coração. Hoje eu posso dizer: no meu nada, a oração se fez tudo.
Reze… Confie e reze. Dessa forma a sua percepção de vida não se tornará em apenas “um dia após o outro”. Acredite!
Maria Elza
