Sonhos Juvenis

09/08/25

Eu queria amar! Quem manda ficar lendo livros românticos? Não devo culpar os escritores. Não eram heroínas épicas, grandiosas, orgulhosas, princesas.

Nem moças descendentes de famílias tradicionais, preparadas para encontrar namorado entre os filhos dos frequentadores das altas rodas, da elite, ou filhos de amigos poderosos como os próprios pais, também. Casamentos entre iguais, diriam as interessadas mães.

Se minhas heroínas fossem essas, eu não teria criado falsas ilusões. Embora eu deva confessar: lia tudo que me caía às mãos!

Tanto é que sei distinguir as grandes heroínas das moças comuns. As do meu universo, eu via, conhecia, mesmo que fosse só de passagem, e, de certa forma, eu me assemelhava a elas.

Colegas de escola, filhas de senhoras conhecidas, de donos de lojas, de pessoas a quem se dava bom dia ou boa tarde, e diriam: passou aqui a filha de fulano, ela já é uma mocinha.

Esse era o mundo ao qual eu pertencia. Fisicamente.

Porque, em pensamentos, eu vivia grandes amores, conhecia novas cidades, era razão de disputa entre rapazes. E o herói sempre se apaixona pela mocinha. No caso, eu. Eu e meus sonhos juvenis.

Sonhava com o amor selvagem, sensual, e a imagem de quem seria o homem amado mexia com meus sentidos.

— Onde você está com a cabeça, Anita?

— Oi, professor, em nenhum lugar. Estou aqui.

— Não respondeu à chamada. Podia te dar falta.

— Desculpe, professor. Presente!

Não respondia por estar viajando… em suas mãos, em seus braços, nos músculos da perna que se adivinhavam debaixo do linho branco de sua calça.

“Que homem bonito”, pensava.

Sorte tem a prof. Marta em ser casada com um homem desses.

De onde saíam esses pensamentos? Ah, com certeza, dos hormônios em rebuliço em meu corpo de adolescente.

Mas a principal fonte era dos livros de amor que passavam de mão em mão entre os colegas da escola.

— Trouxe?

— Calma, vou terminar no recreio e te dou. Não consegui ler ontem. Minha mãe estava na costura, como sempre, mas meu pai ficou em casa.

— E eu tenho só dois dias para ler. Sábado meu pai chega da fazenda.

— Tá bom, tá bom.

Na verdade, a forma como despertamos para o amor, a paixão ou o que chamamos de fraquezas humanas não faz a menor diferença.

A natureza e o homem, esses têm suas próprias ordens e leis. Quem poderá definir onde começa um ou outro?

Bom mesmo é lembrar-me da época. Dos devaneios. Da imaginação. Oh, juventude! Como o viver era leve!

Maria Elza.

Publicado por mariaelzaescreve

Me autodenominei Divina, Perfeita e Maravilhosa. Não é por vaidade e sim porque acredito que foi assim que Deus nos criou: à sua imagem e semelhança. Mesmo que humanamente isso pareça impossível, ao expressar minha crença me sinto bem. Busco o melhor sempre. Tenho fases, sou de Libra e isso ajuda a explicar minhas qualidades e meus defeitos. Amo a vida, minha família, meus amigos. Sou Formada em Administração e Direito e estudiosa da escrita criativa. Sempre gostei de ler! Amo ler tanto os romances, como os contos, crônicas, documentários, biografias… Mas minha maior bagagem é de vida, pois ela é a matéria prima para o que escrevo. A vida, as pessoas e suas histórias me encantam. E esse encantamento se transforma em letras. Amo muito, preocupo-me muito, erro muito, e procuro muito acertar! Vou dividir com vcs um pouco da minha experiência de vida, neste espaço que considero meu "travesseiro virtual" e o convido a compartilhá-lo comigo. Venha?! Criei este blog em agosto de 2010 na plataforma blogspot. Posteriormente o trouxe para o WordPress . Desde 2024 estou escrevendo crônicas e vou disponibiliza-las aqui. No site https://.www.cronicascariocas.com.br procure por Maria Elza no Menu Autores, para ler meus contos e crônicas. Ah, deixe seu comentário, pois quero saber a sua opinião!

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