Falou que me amava por oito longos anos.
Não, não era 1° de abril.
Carlos chegou de repente, transferido de outra cidade.
— Pessoal, este é o novo funcionário que estávamos esperando. Veio para somar com o nosso time.
Todos deram boas-vindas. A reunião rapidamente se tornou informal, a equipe confraternizando com o novo colega, e eu lá no canto da sala, com meu cafezinho nas mãos.
Distraí-me por um instante e não vi o novato se aproximar.
Pois é. Aproximou-se. Conversamos, namoramos, casamos.
Não viajávamos para a sua cidade. Não conheci seus amigos, nem sua família.
Mas a nossa história era tão especial. Nunca me incomodei com o fato de ele viajar; tínhamos filiais pelo país inteiro. A vida seguia sem sobressaltos.
Até que houve o acidente.
Carlos ficou entre a vida e a morte. Pedi licença do serviço e fui para a cidade onde ele estava hospitalizado.
Deixei minhas coisas no hotel. Ao chegar ao hospital, recebi a notícia da sua morte.
Desmaiei.
Acordei na cama do hotel, com minha gerente ao lado.
Como assim? Meu marido era um funcionário como os demais. Por que minha gerente veio da capital para o funeral?
Perguntei:
— Veio para me ajudar com o translado do corpo?
Ela hesitou.
— Lara… sobre isso, precisamos conversar. O Carlos será enterrado aqui.
— Como assim? A empresa não pode fazer isso. Vamos providenciar tudo e avisar sua família.
Ela respirou fundo.
— Ele será sepultado aqui, Lara. A família dele já está à frente de tudo. Neste momento, a esposa e os filhos estão ao lado do caixão, recebendo as condolências.
Sentei. Não chorei. Não naquele momento.
E não era 1° de abril…
Maria Elza🌷
