Silêncio aos finais da tarde? Que nada! Desassossego? Nem pensar! Tristeza? Não! Bater pernas em Shoppings, casas alheias? Depende…
Visitas? Sim! Ver amigos, filhos, irmãos, parentes. Desde que haja disposição de dar e receber um tempo de qualidade nessas visitas.
O restante da vida pode ser em casa. Afinal, sem a pressa e o tempo que o trabalho, os estudos, a criação dos filhos que ocuparam grande parte dos anos já vividos, agora é hora de ter prazer em curtir o ócio criativo, como ler, escrever, mexer com as plantas, ou simplesmente ficar à toa.
O vazio da casa não deve significar ausência. E nem melancolia, desde que não se tenha associado pessoas à lugares.
Além disso, os anos podem nos deixar mais leves. Ou fazer aflorar a leveza que talvez existia e nesta etapa da vida finalmente achou espaço e floresceu.
Haverá distrações, mas creia, talvez esta seja a leveza oculta e disfarçada por anos atribulados em inúmeros papéis, onde casamento, filhos, estudos, trabalho e contas a pagar não deixavam espaços e tempo para ser distraído ou indolente.
O sossego, discrição, silêncio e paz não anda de mãos dadas com a juventude.
A casa barulhenta, movimentada com o entra e sai de filhos e amigos , o telefone tocando, panela de pressão chiando, crianças chorando ou gritando em correrias e brincadeiras, enfim, o tumulto é a tônica do dia a dia. Hoje poderia ser insuportável, mas ao seu tempo era o sinônimo de ser família.
O cotidiano do envelhecer não deve significar mediocridade, desde que hajam escolhas, pois a vida se encarrega de tudo, desde acalmar o exagero, até bendizer a paz.
Estar só, não necessariamente é solidão, não há porque ter medo do silêncio, do estar sozinho. O conceito filosófico da solitude, nos ensina a gostar de estar consigo mesmo, a entrar em contato com o seu eu mais verdadeiro, a na sua essência encontrar razões para sentir-se pleno e feliz.
Cuidar da saúde não deve se tornar neurose. A idade pode não trazer sabedoria, mas o conhecimento vai agir. Deixar de comer o que não agrega saúde e disposição, fazer exercícios funcionais e compatíveis com o momento atual, administrar a vida financeira são pequenos compromissos do qual o idoso não deve abrir mão.
Não se apegar apenas às reflexões. Elas são úteis, mas conhecer o novo, atualizar-se, ouvir, ler e falar do agora é salutar e desejável. Mesmo que sejam as novidades sobre um tratamento estético, ora uma receita de bolo, ora o buraco da camada de ozônio, o degelo dos pólos. Do que falarem, esteja atento. Mesmo que depois, você vá à internet pesquisar. Esse conhecimento não ocupa lugar e sempre é útil.
Afinal a mente precisa ser ativa, não a boca. Ah, e não se deve esquecer o conceito de melhor ser feliz do que ter razão.
Lembrem-se! Ficar idoso deveria ser o sonho de todo jovem, pois o envelhecer pode ser vivido de forma leve, apesar de todas as limitações que podem advir com a longevidade.
