Estudos sobre a Escrita.

Parte VI – Como escrever Contos

Qual é, afinal, a engrenagem para escrever um bom conto?

O que lhe é indispensável?

Existem espécies, classificações, escolas?

Há técnica, método, arquitetura? Ou apenas sensibilidade?

Essas perguntas só passaram a me visitar depois que resolvi estudar escrita criativa. Até então, eu simplesmente escrevia.

Escrevia histórias com começo, meio e fim.

A da galinha que punha ovos de duas cores.

A do menino que lançou o estilingue e atingiu o pássaro em pleno voo.

A da avó que pedia à neta que lesse outra vez, e mais outra, orgulhosa da conquista daquela leitura recém-descoberta.

Histórias nunca me faltaram. Eu não apenas existia; eu vivia com atenção. Absorvia. Guardava.

O repertório vinha da experiência. Como o fotógrafo que insiste em registrar aquilo que o inquieta ou deslumbra, eu narrava o que minha imaginação captava, intuía, ampliava.

A técnica viria depois. A vida, não.

Até que resolvi estudar. Foi revelador. Tanto que vou trazer aqui o resumo do que aprendi. E isso não esgota o assunto!

Vamos lá

Conto não é novela, nem romance. De maneira simplória podemos dizer que conto é um recorte onde temos: poucos personagens, subtextos, tensão e final. O ambiente e o tempo onde ocorre a historia nao devem ser mais importantes que a mesma, a tensão deve ser mantida em toda a narrativa, o conflito deve ser sentido nas entrelinhas, o clímax deve anteceder o final e este pode ser súbito, de forma aberta ou não. Como eu disse este é o resumo. Existem contos famosos e sempre citados, quer seja pelas camadas submersas, entrelinhas ou mistérios.

Estudar a teoria me tornou mais consciente do que já fazia.

Hoje, quando me vem uma ideia eu a recebo com entusiasmo. Mas não com sofreguidão. Antes eu a observo. E me pergunto: Qual é o conflito? Quem realmente importa aqui? O que pode ser retirado? O que precisa permanecer?

Aprendi que escrever também é cortar. É resistir à tentação de explicar demais. É confiar que o leitor é inteligente o bastante para perceber o que está insinuado.

Não me tornei refém da técnica, mesmo porque não há fim ou prazo para aprender. Tampouco a desprezo. Sei que a técnica é como ferramenta. Um instrumento que afia o olhar, organiza a intuição e dá consistência ao que antes era apenas impulso criativo.

Se antes eu o fazia por uma necessidade de alma, para eternizar meus devaneios, hoje escrevo pela mesma razão; ainda pelo que vivencio mas, compreendendo o mecanismo e as técnicas da arte de escrever.

É por isso que decidi partilhar o que sei. Não como manual fechado, mas como conversa honesta. Não como fórmula infalível, mas como caminho percorrido.

Se você deseja escrever contos, talvez a primeira pergunta não seja “qual é a técnica?”, mas “o que, em mim, precisa ser dito?”

O resto, a gente aprende, lapida, apaga, reescreve. Sempre e sem pressa. Deixe o texto repousar. Depois releia e você verá com outros olhos o que ainda pode melhorar.

E solte ao mundo a sua escrita. O trajeto é consequência.

Maria Elza🌷

Parte – VI da Aba Estudos sobre a Escrita no site mariaelzaescreve.com.br

Publicado por mariaelzaescreve

Me autodenominei Divina, Perfeita e Maravilhosa. Não é por vaidade e sim porque acredito que foi assim que Deus nos criou: à sua imagem e semelhança. Mesmo que humanamente isso pareça impossível, ao expressar minha crença me sinto bem. Busco o melhor sempre. Tenho fases, sou de Libra e isso ajuda a explicar minhas qualidades e meus defeitos. Amo a vida, minha família, meus amigos. Sou Formada em Administração e Direito e estudiosa da escrita criativa. Sempre gostei de ler! Amo ler tanto os romances, como os contos, crônicas, documentários, biografias… Mas minha maior bagagem é de vida, pois ela é a matéria prima para o que escrevo. A vida, as pessoas e suas histórias me encantam. E esse encantamento se transforma em letras. Amo muito, preocupo-me muito, erro muito, e procuro muito acertar! Vou dividir com vcs um pouco da minha experiência de vida, neste espaço que considero meu "travesseiro virtual" e o convido a compartilhá-lo comigo. Venha?! Criei este blog em agosto de 2010 na plataforma blogspot. Posteriormente o trouxe para o WordPress . Desde 2024 estou escrevendo crônicas e vou disponibiliza-las aqui. No site https://.www.cronicascariocas.com.br procure por Maria Elza no Menu Autores, para ler meus contos e crônicas. Ah, deixe seu comentário, pois quero saber a sua opinião!

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