A pouco tempo a chamada terceira idade tinha data. Aos sessenta anos nos tornávamos oficialmente idosos. Mas atualmente a sociedade nos acena com uma intensa e firme campanha a favor da fonte de juventude. E nós? Costumamos dizer que seguimos com a mesma garra, a mesma força, a mesma independência… Que somos ainda as mulheres multi-tarefadas, quase como se tivéssemos “superpoderes”!
No fundo, porém, penso que isso talvez seja uma escolha. Optamos, de forma racional, por manter uma aparência de força. Decidimos seguir.
Ainda assim, creio que de certa forma nos tornamos mais fragilizados, mesmo quando estamos bem de saúde, com autonomia e boa forma física. É como se, pouco a pouco, fôssemos esvaziando o estoque da nossa força emocional.
Passamos a querer andar sempre em dupla. Reparem como muitos casais idosos realizam quase todas as atividades juntos. Ou mãe e filha, ou duas irmãs ou dois amigos inseparáveis. Essa constatação se deu tanto pela observação de outras pessoas quanto pelo que conheço de mim mesma.
Há, no entanto, aqueles que preferem a solidão. Gostam de estar sós, apenas consigo. Desses se diz que cultivam a solitude. Ficam sós por escolha e sentem-se preenchidos de si mesmos.
A solitude pode demonstrar força, garra e independência. Ou talvez revele pessoas que, com o avançar da idade, tornam-se mais recolhidas, avessas a situações publicas. Arredias e ermitãs, podem até se tornarem intolerantes.
Eu mesma me percebo dividida entre esses dois tipos de idosos.
Creio que há também aqueles que são emocionalmente frágeis, mas optam por não demonstrar essa fragilidade. Em razão disso, afastam-se da vida social. Recusam situações em que se espera afabilidade, troca, interesse pelo outro, como festas, reuniões e encontros. A tal preguiça social…
Reflexões. Apenas reflexões.
Maria Elza🌷
