Nós, escritores, vivemos de ideias. São elas que se transformam em inspiração para tudo o que escrevemos: seja um conto, um romance ou uma crônica.
Nosso repertório é o mundo.
O mundo geográfico e o humano.
Da rua suja e esburacada ao cenário magnífico da cidade de Dubai; da criança inocente ao homem que espanca a própria mulher; do explícito ao oculto. Tudo nos atravessa, tudo pode virar matéria de escrita.
Nesse contexto quero falar do famoso “branco” do qual muitos escritores, em certos períodos, sofrem ou tentam fugir.
Uma das formas mais simples de evitar o branco é manter um caderno de anotações. Hoje, ele está ainda mais acessível: cabe no bolso, no celular, à mão em qualquer lugar.
Viu um gatinho atravessar correndo uma rua movimentada, como se tivesse observado o trânsito, calculado a velocidade dos carros e decidido o momento exato de correr? Anote.
Colocaram um contêiner na calçada de um terreno vazio? Anote.
O serelepe garotinho da vizinhança veio lhe contar a proeza de que, “do nada”, subiu na bicicleta e conseguiu andar? Anote.
“Ah, mas isso não é matéria-prima para escrever…”
É sim. Ou melhor: pode ser.
Com seu repertório de leitura, de vida e, sobretudo, com o seu olhar atento sobre o corriqueiro do cotidiano, é possível mergulhar em questões profundas e complexas.
Então, escreva.
Apenas escreva.
O escritor é o ator principal da importante representação da realidade, tanto social como individual que compõe a arte chamada literatura.
Lapidar, corrigir, rever questões semânticas e gramaticais, isso vem depois, em outra etapa da escrita. Podem inclusive ser feitos pelos parceiros dos escritores: o leitor beta, o revisor, e eventualmente o editor do texto.
Maria Elza🌷
“Este texto faz parte da aba Estudos no site @mariaelzaescreve.com.br
