
“Da minha infância querida, que os anos não trazem mais…”
Sem pressa, sem ódios, sem amor. Como trilha sonora, busco deliberadamente os sons que embalaram as minhas inquietações juvenis.
“Maringá, Maringá, depois que tu partistes, tudo aqui ficou tão triste que eu garrei a imaginá…”
“Vento que balança as “paias”dos coqueiros, vento que encrespa as ondas do mar…”
Aqui, sentada na varanda, minha gata Felícia aos meus pés, o sol de setembro ainda ameno e o trinar dos passarinhos me zoando aos ouvidos, eu penso.
Não, não é fuga. Não é alienação. E nem poderia ser.
Tantas coisas acontecendo no mundo… de santos a demônios, de guerras em palavras, em intenções e em atos…
De surpresas à “favas contadas…”
De descaso em vida à homenagens póstumas…
Como abstrair? Como brincar de faz de conta?
A dicotomia permeia tudo: céus e terra, humanos e não humanos.
Os bruxos estão soltos…
Ou talvez sempre tenham estado.
No ar, nas ideias, nas esquinas e nos templos. E se disseminam nas ondas invisíveis que o homem, esse ser maravilhoso, “à imagem e semelhança de Deus”, colocou à nossa disposição.
De ondas eu entendo, pois foi nelas que me refugiei desde a idade em que meus pensamentos se tornaram perguntas e porquês.
E sigo aqui, entre ondas…
As que me acalentam e as que me desafiam. Ondas de mar, de rádio, de pensamentos… sempre elas a me lembrar que a vida não cabe em extremos, mas se move no vai e vem do tempo.
E, nesse movimento aonde me encontro, entre idas e vindas, sigo buscando abrigo…
Pois mesmo que eu veja, ou só mesmo perceba do meu ponto de vista, a realidade adversa por onde a humanidade caminha…sigo atenta e curiosa, pois já concluí que são as perguntas e não as respostas que fazem com que eu cumpra o meu papel no mundo.
Maria Elza
