Parte 1 – Chegada à Cidade que Nunca Dorme
Uma viagem a um mundo fascinante e surpreendente. Embora eu já seja prática e legalmente idosa, ainda tenho a imaginação e a curiosidade juvenil. Então, não se surpreenda com os meus encantamentos; deixe-se levar.
Nova Iorque é cosmopolita, vibrante, maravilhosa. Finalmente entendi o fascínio que a cidade exerce sobre as pessoas — desde os jovens e os casais, até homens e mulheres que são viajantes contumazes. Mesmo quem já conheceu muitos países não resiste ao chamado dessa grande metrópole. A expectativa de conhecer Nova York é uma unanimidade, tanto entre moradores de grandes capitais, como São Paulo, quanto entre habitantes de povoados longínquos.
Nova Iorque deve ser visitada em qualquer época do ano; nas quatro estações ela sempre será encantadora e terá muito a oferecer.
Só andar pelas ruas já é um programa. A região da Times Square, sempre lotada a qualquer hora do dia ou da noite, reúne pessoas de todos os idiomas. É um dos principais pontos turísticos da cidade, onde as novidades chegam primeiro, pois Nova Iorque se reinventa constantemente.
A Times Square me encantou. Ela é muito mais do que eu imaginei. Meu Deus, eu pensei, aqui é o meu lugar! Isto é o que eu jamais consegui imaginar, mas sempre soube que existia: exatamente assim como é!
Que profusão de tipos, pessoas, fantasias, cartazes, luzes, caricaturas, vozes, músicas, vibrações. Parece ser o centro do mundo. Não há calmaria; é um movimento constante. Ouvem-se vários idiomas, vêem-se grupos de turistas de várias nacionalidades, num vai e vem incessante, uma urgência de vida. Um lugar único? Talvez.
Nosso hotel ficava a duas quadras da avenida. Por isso, a vi várias vezes: na saída ou na volta para o hotel, ao descer do metrô ou ao dar uma volta ao fim da tarde. Eu me senti como se estivesse no centro do universo… mas, no terceiro dia, já estava com overdose das luzes, do frenesi, do movimento.
Pensei comigo: cheguei tarde.
Não; cheguei a tempo de me encantar com a avenida tantas vezes vista em filmes, onde as pessoas se reúnem para a contagem da descida da Bola de Prata que marca o fim do Ano Velho e a chegada do Ano Novo.
Parte 2 – Broadway: Entre Sonho e Realidade
Nova Iorque é a meca do consumo.
A loja da Apple é diuturnamente iluminada e lotada. A famosa Quinta Avenida exibe vitrines maravilhosas, butiques com portas fechadas que só se abrem com exclusividade e hora marcada.
A maravilhosa Catedral de Saint Patrick. O Central Park visto do alto, com seus espaços de patinação no gelo, trilhas, lagos, restaurantes, lanchonetes e o verde em incontáveis tonalidades. O Memorial das Vítimas de 11 de setembro, com a água escorrendo pelo mármore gravado como se fossem lágrimas perpétuas, chorando os nomes das vítimas. As comidas de esquina. Os músicos e artistas de rua. Nova Iorque é um espetáculo.
A Broadway sempre povoou minha mente. Ouvi sobre ela em romances, histórias e filmes. Um musical na Broadway era descrito como uma entrada mágica no mundo do entretenimento; os relatos falavam de teatros com mais de 5.200 lugares. O cinema mostrava os táxis amarelos percorrendo a avenida e deixando passageiros às portas dos teatros onde se apresentavam os mais famosos espetáculos, cujos ingressos deviam ser comprados com antecedência.
E, finalmente, chegou o dia de eu ir à Broadway. Não me envergonho de contar minhas impressões e surpresas — não estou aqui para posar de chique ou vivida. Estou aqui para contar minhas peripécias ao conhecer o mundo, a famosa “linha do horizonte”, que sempre desejei alcançar.
Almoçamos às pressas nas imediações da larga avenida — tradução literal de “Broadway” — pois a peça Wicked começaria às 14 horas.
Então eu não veria as mulheres de vestidos longos e brilhantes, de saltos e casacos de pele, como eu imaginava? Ou como vi em filmes antigos? Percebi que minhas memórias eram de outros tempos, de histórias distantes.
Entramos na avenida, cercada de estabelecimentos comerciais comuns, com letreiros e cartazes anunciando artistas e horários das peças. Luzes piscando, multidões entrando apressadas, procurando seus lugares antes do início do espetáculo. Lanchonetes, carrinhos de refrigerante, guardas controlando o acesso. Nada correspondia à minha imaginação.
Talvez, numa próxima visita, eu apenas caminhe pela Broadway, sem entrar em nenhum teatro, para alinhar minhas expectativas com a realidade.
Fiquei com um gostinho de “eu queria mais que isso, Broadway”.
Parte 3 – Domingos, Pontes e Canções
No domingo em Nova Iorque, fomos para o Brooklyn, cruzando a charmosa ponte famosa pelas belas fotos que proporciona — seja de seus ângulos, seja da vista de Manhattan ao longe.
Fomos cedo assistir a um show gospel no Tabernáculo do Brooklyn. Havia uma magia no ar. As ruas ainda estavam vazias; atravessávamos calmamente, tirando fotos, apreciando os canteiros, a arquitetura, as residências.
A energia e a alegria do coral tomaram conta do lindo templo. Eu me senti como se estivesse na antessala do céu — um céu alegre, vibrante e festivo.
Após o show gospel, as pessoas que desejavam permaneciam para o culto. As demais, como nós, saíam para conhecer o bairro. Descemos a rua e chegamos a uma alameda à beira do rio — maravilhosa, fresca, com pessoas caminhando, sentadas nos bancos, contemplando a vista, saboreando o privilégio de estar em Nova Iorque.
Parte 4 – Harlem, Cafés e Descobertas
Fomos ao bairro do Harlem para conhecer a cultura afro-americana da melhor maneira possível: andando a pé pelas ruas. As casas de pedra e tijolos, os murais, as pinturas nas paredes; tudo aquilo que já víramos em filmes comprovavam que ali era um lugar histórico e encantador. O Harlem é um bairro icônico de Nova Iorque, sempre se reinventando, e de renome mundial. Eu estive lá!
Comemos panquecas gigantescas com blueberry — nossos mirtilos brasileiros — mel e geleias, como nos filmes.
Diante do Central Park, em uma caminhada relativamente curta, atravessamos o parque em sua largura. Tudo era encantador, absolutamente tudo. Ao chegarmos à calçada oposta, tomamos o café da manhã no Sarabeth’s Central Park South, uma cafeteria muito bem recomendada, e que fez jus à sua fama.
Em Nova Iorque há diversos cafés, tanto em lugares badalados quanto em bairros discretos. Em todos eles, o cheiro bom das máquinas de café é acolhedor.
Parte 5 – O Encanto Final
Conhecemos vários pontos turísticos e lugares fashions. Andamos de metrô em horários de rush e também de madrugada, quando o vagão era praticamente só nosso.
O Museu de História Natural estava no roteiro, assim como a vista de 360° da cidade, no alto do Edge Observation Deck — um espetáculo à parte.
Nova Iorque é inimaginável do ponto de vista turístico. Foi um dos lugares mais intensos que conheci. Deus é maravilhoso; tudo tem seu tempo, e o meu foi conhecer Nova Iorque aos 65 anos de idade e sentir-me realizada.
Obrigada, meu Deus, por permitir que eu realizasse os sonhos da minha adolescência e os desejos mais loucos da minha alma.
Valeu a pena. Ah, se valeu!
Maria Elza 🌷
