Quem vem aí? Eles, os setenta e três anos.
Um novo eu?
Não sei, porque ainda me desconheço.
Sei como sou agora…
Não sou adepta de incógnitas. Preciso de certezas, de verdades. Mas percebo, consciente, que nem sempre elas estão disponíveis. E talvez nunca estejam.
Viver nessa dualidade, porém, não é ruim. Ao contrário: dá sabor ao viver.
Hoje, quando olho para trás, me lembro de tantas fases vividas, épocas onde perdia o sono, que me levaram a psicólogos, terapeutas, ciganas ou cartas de tarô, e em como elas se diluíram no tempo.
As águas que antes corriam agitadas agora se tornaram calmas. Percorrem veias e artérias com a tranquilidade de quem já aprendeu o ritmo da vida.
Os pensamentos, antes urgentes, hoje se acomodam em serenidade.
Nesta fase, a calmaria se fez trono. A paciência encontrou seu espaço. Os hormônios se aquietaram. E aquilo que parecia vital, urgente, tornou-se simples. Resumido numa expressão que liberta: “E daí?”
E daí que sigo. Ainda não gosto de charadas, não me aprazem conversas de duplo sentido. Prefiro as verdades.
Ainda que cada vez menos encontremos certezas, é nessa busca que o ser humano encontra a razão de viver.
Eu, que ainda me desconheço nesta idade nova , mesmo porque o rosto envelhece a cada ano, almejo que o espelho me devolva o olhar de sempre: talvez mais sereno, mas ainda encantado com a beleza da vida.
Maria Elza 🌹

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