Domingo

Sol quente, areia queimando os pés, algazarra, sucos, cervejas, caranguejos sendo quebrados, socados com um martelinho de madeira, numa busca frenética pela carne branca e rija dos crustáceos.

Na mesa, umas oito pessoas falavam e riam. Era uma alegre e típica família que viera aproveitar um domingo na praia.

Queijo coalho” ouviam-se ao longe os gritos dos vendedores que caminhavam pela areia  com seus fogareiros, garrafinhas de melaço, saquinhos de orégano, trazendo a “iguaria” onde sabiam e reconheciam seus prováveis clientes.

Geralmente onde há crianças a venda é certa! Paravam, balançavam o fogareiro, as fagulhas do fogo se avivavam com o vento, aí com uma destreza só,  eles viravam o palito de queijo entre os dedos e num instante o cheiro bom de queijo assado tomava conta daquele pedaço de praia.

Olha o amendoim, gritava outro, e passava a xicarazinha de amendoim torrado  com três ou quatro amostras  ou então a castanha de caju, que chegava a ser docinha de tão boa, num fundinho de copo de plástico. Vai querer, vai querer? O amendoim no saquinho de papel pardo, o garoto recebia o seu pagamento e seguia seu caminho.

Olha o picolé, olha o picolé, gritava outro e ia chegando e juntando a gurizada em volta do carrinho.

Além das guloseimas, o espaço também era lugar de venda de bijuterias, cangas, tatuadores de henna, vendedores de camisetas e geralmente brinquedos e novidades que fariam sucesso apenas em um verão, mas que encantava as crianças.

Quase onze horas, lá vinha o menino com o peixe vermelho cru cheio de condimentos, oferecendo aqui e ali, ‘num instantinho estará assado.”

Ahh, acompanha a farofa, o vinagrete, vem numa telha ou casca de bananeira, dá para até seis pessoas. Se a senhora quiser podemos trazer uma porção de batatas fritas, até que o peixe fique pronto, mas não deixe de pedir o peixe porque a senhora não vai comer nada igual,” explicava o garoto da barraca acostumado as lidas de vendas e que conhecia bem onde faria sucesso com a sua cantilena.

O desfile de ofertas não tinha fim!

— Esse menino não passou aqui agorinha?

— Perguntou a senhora a sua sobrinha.

— Não, não era esse, aquele foi, esse está vindo. Tia quantas cervejas a senhora já tomou?

— Ah, mas é praia, e só uma vez ao ano! Interveio o tio.

— Que é isso, menina? Me respeite!

Praia?

Sim, lá estava o mar em seu balanço, no ir e vir das ondas, ora chegando junto das pessoas, ora voltando para sua imensidão solitária.

Parecia também querer participar da festa, da comilança, do fuzuê, da gritaria, da lambuzeira de óleo de bronzear, de gurizinho ranhento, da mocinha de biquíni feliz porque já estava com peitinho; da senhora alegre de cerveja e da folga que tirou da cozinha, em um programa alegre com marido, netos e sobrinha, os pés enfiados alegremente na areia fofa da praia.

O mar era testemunha e se alegrava com os garotos que plantavam bananeiras na areia, com os rapazes que jogavam futebol, os senhores que andavam e carregavam os tênis nas mãos. Naquele vai e vem das ondas, o mar era o astro daquele espetáculo.

E o domingo foi indo, indo, as pessoas juntando seus guarda-sóis, seus apetrechos de praia, até que não sobrou mais ninguém e o mar ficou sozinho.

A lua havia subido no céu e lá de cima prateou a imensidão da água, que ficou com uma cor chumbo iluminado e as ondas faziam um murmúrio suave ao ir e vir deixando um rastro de espuminhas brancas.

E nesse vai e vem sereno elas lambiam a areia, como se quisessem se impregnar da alegria e da algazarra daquele festivo e movimentado dia, em que as pessoas esqueceram seus problemas, suas rotinas, para apenas aproveitar um dia de domingo!


Maria Elza🌷

Publicado por mariaelzaescreve

Me autodenominei Divina, Perfeita e Maravilhosa. Não é por vaidade e sim porque acredito que foi assim que Deus nos criou: à sua imagem e semelhança. Mesmo que humanamente isso pareça impossível, ao expressar minha crença me sinto bem. Busco o melhor sempre. Tenho fases, sou de Libra e isso ajuda a explicar minhas qualidades e meus defeitos. Amo a vida, minha família, meus amigos. Sou Formada em Administração e Direito e estudiosa da escrita criativa. Sempre gostei de ler! Amo ler tanto os romances, como os contos, crônicas, documentários, biografias… Mas minha maior bagagem é de vida, pois ela é a matéria prima para o que escrevo. A vida, as pessoas e suas histórias me encantam. E esse encantamento se transforma em letras. Amo muito, preocupo-me muito, erro muito, e procuro muito acertar! Vou dividir com vcs um pouco da minha experiência de vida, neste espaço que considero meu "travesseiro virtual" e o convido a compartilhá-lo comigo. Venha?! Criei este blog em agosto de 2010 na plataforma blogspot. Posteriormente o trouxe para o WordPress . Desde 2024 estou escrevendo crônicas e vou disponibiliza-las aqui. No site https://.www.cronicascariocas.com.br procure por Maria Elza no Menu Autores, para ler meus contos e crônicas. Ah, deixe seu comentário, pois quero saber a sua opinião!

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