1 – Pequenas Histórias
Hoje estou deveras em determinado período do passado…
O que me conforta dos sentimentos conflitantes que vivi à época é que anos depois, já vivida e madura fui testemunha de que a divisão de sentimentos, o conflito entre o que é e o esperado não foi um sentimento só meu, por ser muito nova, e praticamente obrigada a casar, por uma gravidez de adolescente.
Vi e ouvi amigas formadas, com independência financeira, experiências sexuais, estabilizadas na vida, passarem pela redemoinho de emoções e conflitos por ocasião do início da vida a dois.
Mas sei que, à época que deixei pai e mãe e fui morar noutra cidade, com um bebê que dependia de mim,(banho, dar mamar, limpar, distrair, fazer dormir,etc…) e com todos os afazeres domésticos, lavar roupa, passar, cozinhar, limpar louça, limpar casa, digo com toda certeza do meu coração: EU NÃO SABIA O QUE ERA AQUELA VIDA! EU NÃO ESTAVA PREPARADA PARA AQUELA REALIDADE, AQUELE PAPEL!
Como minha vida mudou tão radicalmente? Aquele era o futuro? Onde estava o amor impetuoso ou romântico dos romances de Machado de Assis, José de Alencar, ou mesmo, das fotonovelas, dos livros Julia, Sabrina e tantos outros que eu havia lido???
Sinceramente eu não sabia e nem sei como atravessei DEZ ANOS da minha vida nesse “limbo”: SER E NÃO SER! Posso apenas afirmar: Deus foi muito presente em minha vida! Como foi!!!
2- Pequenas Histórias
A proteção divina acontece de variadas formas: na letra de uma canção, em uma frase solta que ouvimos, em uma cena, em uma conversa inesperada.
Deus está sempre pronto a amar e proteger, pois Ele é Amor. E foi de maneira simples que algo aconteceu e me retirou daquela vida suspensa que eu levava, na qual não me sentia completa, nem me entregava por inteiro.
Uma colega de faculdade comentou comigo o quanto se sentia mortificada ao acordar, às vezes, e encontrar um homem que não conhecia saindo do quarto de sua mãe.
A mãe era jovem, divorciada, gostava de dançar, trabalhava e, às sextas-feiras, saía para se divertir. Uma mulher independente, livre. Assim, permitia-se levar para o quarto um namorado ou alguém que conhecera nos bailes, a quem hoje se chamaria de “ficante”.
Isso deixava sua filha profundamente constrangida.
Ouvi aquele relato e fiquei muito impressionada. Era algo de um mundo que eu não conhecera. E constatei, com clareza, que nem queria conhecer.
Naquele momento, minha alma fugidia se aquietou. Tomei meu prumo, olhei para as crianças e decidi: meus filhos jamais passarão por isso.
Minha consciência me disse, com firmeza: vá assumir completamente o seu papel, moça. Este é o seu mundo. Esta é você.
Hoje, ao retornar ao passado, faço-o com a tranquilidade de quem, nesta altura da vida, sabe que a forma como tudo aconteceu, em várias etapas do meu viver, contribuiu para o meu crescimento. E essas recordações me despertam um único sentimento: vivi, senti, superei-me e venci a vida.
Fui intensa nas decisões para defender minhas crenças. Fui leoa como mãe, valente como mulher, incansável ao trabalhar, estudar e educar meus filhos para que fossem pessoas dignas. E com essa mesma intensidade, hoje me sinto em paz, em plenitude.
Por tudo isso, sou profundamente grata a Deus.
Maria Elza🌷
3-Pequenas Histórias
E quando eu li o Pequeno Príncipe ? Que doçura, que carinho na alma aquele pequeno príncipe me fez? Foi também no período “vc se casou, tem uma filha, é adulta, tem marido, obrigações domésticas e maternais, e a vida é esta!
Como absorver algo tão acima da minha mente quase infantil e sensível? Sem nada para amaciar essa realidade? Eu só queria a minha casa cheia de irmãos e irmãs, meu pai chegando do serviço à tarde, minha mãe esbravejando com um ou outro!
O Pequeno Principe me salvou, me levou a ler as estrelas, a saber o valor das horas… e de quebra, exacerbou um ciúme doentio no pai da minha filha… Hoje o compreendo bem … a minha alma fugidia não era fácil de ser aprisionada. Ah, não era não!!!
Maria Elza🌷
