
O Chile foi um país que me emocionou desde o primeiro instante. O tempo todo senti um carinho silencioso, quase ternura, por aquele lugar de contrastes e encantos. As ruas limpas, a sede do governo ali mesmo, no coração da cidade, a catedral imponente com sua beleza antiga, e a história — viva e dolorida — dos terremotos que já abalaram o país.
Lembro-me de Valle Nevado: subir as encostas, contemplar os moradores em seus afazeres simples, olhar o gelo acumulado nas pedras que margeiam as estradas que cortam as montanhas. O ar ia ficando mais rarefeito à medida que subíamos. As kombis e conduções paravam onde podiam; os últimos metros exigiam passos lentos, firmes, vencendo o cansaço até o cume. E lá de cima, que esplendor! O cenário natural se abria em generosidade: os restaurantes aconchegantes, famílias inteiras se divertindo, jovens em grupos animados, esquiadores riscando a neve com leveza. O esforço de cada degrau valeu a recompensa do topo.
Outra surpresa foi o Museu Mirador, um museu interativo de ciências naturais que me prendeu como poucas coisas conseguem. Fascinante, como se as mãos pudessem tocar o conhecimento.
Tudo o que disserem de bom sobre o Chile, acredite: minha alma se encantou por aquele país. É um lugar a que eu voltaria quantas vezes a vida permitisse, com o mesmo deslumbramento.
E os detalhes que fazem da viagem um álbum de descobertas? Em Las Vegas, eu já havia visto aquecedores de rua nos pontos de ônibus e táxis. No Chile, encontrei-os nos restaurantes, igrejas e museu.
Como moro em um país tropical, abençoado pelo sol, pelo mar, pelo calor generoso, não podia deixar de me surpreender. Aquecedores em locais públicos! Essa é a alma das viagens: o inesperado, o que nos tira do costume.
E mais: em viagem, a gente não reclama do frio. Pelo contrário: ele nos parece um charme a mais.
No fim do passeio, como um presente final, o motorista que nos acompanhou durante toda a estadia entoou para nós uma canção: Se Vás a Chile!… E aquela melodia ficou na memória como a moldura de tudo o que vivi.
Chile, você me encantou!
Segundo, que descobrir isso já nesta etapa da vida vem a ser ou trazer outro conforto: o de sentir que “isso não ia prestar”, se fosse lá atrás, na juventude!
Sou uma pessoa privilegiada: Tudo ao seu tempo, no seu momento, na proporção que me dá paz, que me deixa em paz, e, por essas constatações, mais uma vez eu digo: Obrigada Meu Deus, muito obrigada, por sempre escrever certo, nas linhas incertas da minha vida.
E viva el Chile!
Maria Elza🌷
